
5 de junho, Dia do Meio Ambiente
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Coragem
do governo para promover reforma agrária é fundamental
para democracatizar Brasil e acabar com violência
no campo, afirma dirigente cutista
Escrito por: Luiz Carvalho
Neste
domingo (5), o mundo comemoro o Dia do Meio-Ambiente.
Especificamente no Brasil, o momento é de
refletir sobre retrocessos recentes como
a aprovação do relatório
que altera o Código Florestal e imprime
retrocessos como a anistia a desmatadores.
Em
entrevista ao Portal da CUT, a secretária
do Meio Ambiente, Carmen Foro, fala também
de medidas para combater o assassinato no
campo e destaca que a raiz dos problemas é a
falta de ousadia do governo de implementar
uma autêntica reforma agrária.
Portal
da CUT – Qual o papel do movimento
sindical nesse momento em que vemos tantos
retrocessos como o assassinato de lideranças
do campo e a aprovação do
Código Florestal?
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Carmen
Foro, secretária do Meio Ambiente
da CUT |
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Carmen
Foro –É fundamental que a CUT e
os movimentos sociais sigam o caminho da disputa
pelo modelo de desenvolvimento sustentável
que queremos
para o país. Porque os assassinatos a aprovação do código
que anistia os desmatadores, todas essas questões têm na raiz de
sua existência em modelo de desenvolvimento excludente, que promove a concentração
de terras e no qual a elite tomou conta do campo e do Congresso Nacional com
a eleição de um grupo grande e poderoso. É esse grupo que
não deseja a reforma agrária, a aprovação da PEC
do trabalho escravo – 438/2001, que destina para reforma agrária
terras onde for flagrado trabalho escravo – e que está entrando
duro na disputa pelos recursos naturais.
Quais
ações a CUT defende
para acabar com esses assassinatos?
Carmen – Primeiro, a reforma agrária é essencial
no processo estruturante. É preciso também
fortalecer a agricultura familiar, por meio da ampliação
do acesso ao financiamento e de políticas
públicas de pesquisa e suporte ao pequeno
agricultor. Vamos promover uma grande mobilização
no Pará nos dias 21 e 22 de junho com nossas
entidades da região porque o que os assassinatos
que aconteceram ao longo de todos esses anos, mas
agora chamaram mais atenção poro ocorrerem
em série, são resultado da ausência
do Estado por muito tempo. Diante disso, devemos
disputar do ponto de vista local, regional e nacional
a visão que temos de desenvolvimento com distribuição
de renda, de recuperar o papel histórico do
campo nesse processo. Porque temos a biodiversidade,
a condição climática, mas não
alcançaremos esse modo de desenvolvimento
se deixarmos a discussão apenas nas mãos
da elite empresarial.
A
pauta do desenvolvimento sustentável já faz
parte da luta dos trabalhadores?
Carmen – Faz parte da luta dos trabalhadores
da CUT, mas acho que assim como nos outros setores
da sociedade, precisa ganhar mais força também
nas pautas cotidianas e coletivas do movimento sindical
porque é fundamental para o modelo de sociedade
que defendemos.
A
velha mídia informou que a presidenta Dilma
já estaria disposta a ceder em alguns pontos
como a anistia aos desmatadores. Você acredita
que os movimentos sociais que defendem terão
força para brecar essas mudanças?
Carmen – Não consigo mensurar, mas devemos
lembrar que a presidenta Dilma foi eleita em uma
ampla aliança que contou com apoio dos movimentos
sociais favoráveis à continuidade de
um governo popular e democrático, envolvido
com a distribuição de renda e com a
construção de um país mais democrático.
Isso envolve a democratização do acesso à terra,
também. Por outro lado, contamos com uma Câmara
dos Deputados conservadora, um cenário no
Senado não tão fácil e eles
acabam fazendo pressão muito grande sobre
as posições que o governo adota. E
ainda há uma parte da base aliada que defende
os interesses apenas das grandes empresas e, legislam
em causa própria. Da nossa parte, faremos
muita pressão para que os interesses de quem
respeita e luta pelo meio-ambiente sejam incluídos
no Código Florestal. Nossa estratégia é mostrar
unidade para que tanto os parlamentares quanto o
governo se sintam fortalecidos para escolher o que é melhor
para o País.
Quais
as bandeiras que a CUT levará para
a conferência Rio+ 20, em 2012?
Carmen – A Rio+ 20 vai tratar de desenvolvimento
sustentável como centro do debate e essa é exatamente
a nossa bandeira. A CUT levará a pauta de
eixos como a regulação financeira na
questão dos empregos, da proteção
social e precisamos transformar a agenda do Brasil
em algo que dialogue com essa realidade. Diante da
nova posição do Brasil no mundo, temos
grande responsabilidade e por isso queremos discutir
a geração de empregos, não apenas
do ponto de vista da carteira assinada, mas de como
produzimos, da geração de energia limpa
e da utilização de recursos naturais.
A
CUT também integrará a campanha
nacional contra o uso de agrotóxicos. É possível
viver sem eles?
Carmen – Não podemos esquecer que na
cadeia de produção de alimentos, se
configuram também interesses de quem produz
insumos agrícolas e possui muita força
política e econômica. Mas, é outro
desafio que precisamos enfrentar. Para quantificarmos
isso, basta lembrar que o Brasil é o maior
consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2009.
Em média, cada brasileiro consome 5,2 litros
de venenos por ano. Mexer nisso é mexer na
lógica da produção em grande
escala. Para isso, reforço, é estratégico
e fundamental fortalecer, por meio de políticas
públicas, o papel da agricultura familiar,
que produz em experiência agroecológicas
e orgânicas, sem venenos e é responsável
por 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros.
E não se trata apenas de dinheiro, mas também
de vontade política. O veto ao relatório
do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB), que desconfiguram
o Código Florestal são parte disso.
Por outro lado, precisamos amadurecer a consciência
da população sobre a compra de alimentos
e como são produzidos.
Como
as cidades devem se envolver para combater os
problemas que acontecem no campo?
Qual a responsabilidade
do cidadão comum?
Carmen – Precisamos fortalecer aliança
entre campo e cidade. Isso é bastante antigo,
mas precisamos sair da fala e ir para a prática.
Precisamos construir uma reflexão mais ampla,
perguntar se carne a carne é de origem legal
ou de áreas que podem ter trabalho escravo,
se a origem da construção parte de
madeira com origem legal ou significa o sangue e
a morte de quem vive do campo. Essa é uma
pergunta que precisa ser feita por cada consumidor.
Assim como precisamos melhor o acesso à informação
por parte da população por meio de
uma campanha de comunicação forte,
que envolve a democratização da comunicação.
Porque não há interesse da grande mídia
de divulgar realidades tão denunciadas por
nós. Porque os grandes desmatadores são
poderosos e donos dos principais meios de comunicação.
O
Ibama autorizou no último dia 3 hoje a
construção de Belo Monte. O que isso
representa para o país?
Carmen –Por um lado, o Brasil passa por um
crescimento muito grande, que demanda energia e esse é um
momento fundamental para discutirmos a forma de produção.
Em tese, podemos produzir energia limpa a partir
dos rios, mas não podemos esquecer os impactos
sociais. Como o governo e as empresas irão
investir para diminuir ou compensar os impactos ambientais
e sociais, como o inchaço provocado nas grandes
cidades, a partir da construção de
hidrelétricas? Essa é pergunta que
deve ser feita para que Belo Monte, que deve contar
com cerca de 20 mil trabalhadores, não repita
os problemas da hidrelétrica de Jirau, onde,
além dessas questões, observamos a
exploração dos trabalhadores e a ausência
de trabalho decente. É inadmissível
não ter um plano para dar conta dos problemas
sociais e trabalhistas que as barragens causarão,
incluindo as populações atingidas.
