
Norma
da OIT deve beneficiar trabalhadores domésticos
A Organização Internacional do Trabalho
(OIT) aprovou na última quinta-feira (16/9),
durante sessão da 100ª Conferência
Internacional do Trabalho, em Genebra, norma que
regulamenta o trabalho doméstico. A partir
da ratificação da norma, os trabalhadores
domésticos brasileiro passarão a fazer
jus a todos os benefícios nela constantes
como jornada de 44 horas semanais, descanso semanal
de pelo menos 24 horas consecutivas, limite para
pagamentos em espécie, informações
claras sobre os termos e condições
de emprego. Os delegados adotaram a convenção
por 396 votos a favor, 16 votos contra e 63 abstenções,
e sua recomendação de acompanhamento
por 434 votos a favor, 8 contra e 42 abstenções.
Segundo a OIT, cerca de 100 milhões de trabalhadores
domésticos em todo o mundo serão beneficiados
pela decisão. De acordo com estimativas recentes
da OIT com base em estudos ou pesquisas nacionais
de 117 países, o número de trabalhadores
domésticos no mundo é de pelo menos
53 milhões de pessoas. Mas os especialistas
acreditam que, porque esse trabalho é feito
de forma oculta e sem registros, o total pode ser
de 100 milhões de pessoas. Nos países
em desenvolvimento representam percentual entre 4%
e 12% do trabalho assalariado. Cerca de 93% são
mulheres e meninas, e muitos são migrantes.
Participante da delegação brasileira,
a presidente da Federação Nacional
das Trabalhadoras Domésticas do Brasil, Creuza
Maria Oliveira, se mostrou satisfeita com a conquista
da aprovação dos instrumentos propostos
e destacou o artigo quatro da convenção,
que proíbe o trabalho infantil e estipula
a garantia de estudo e profissionalização
para empregados domésticos. “Sou empregada
doméstica desde os meus 10 anos e não
tive oportunidade de estudar. Só fui me alfabetizar
com 16 anos. É um alívio saber que
muitas pessoas terão uma realidade diferente
da que eu tive”, comemora Creuza.
O governo do Brasil já se posicionou favorável à ratificação
da norma. O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos
Lupi, contou uma experiência pessoal durante
a votação no plenário do Palácio
das Nações, na Organização
das Nações Unidas (ONU). Ele lembrou
que sua avó trabalhava como diarista para
proporcionar um futuro melhor para os filhos e netos.
Durante toda a discussão, iniciada em 1º de
junho, o Brasil se mostrou um dos países com
a legislação mais completa no tocante
aos trabalhadores domésticos e a delegação
brasileira teve participação constante
nas discussões dos artigos da convenção,
como aqueles relativos à folga após
seis dias de trabalho e ao estabelecimento de jornada
de 44 horas semanais. A partir da sua ratificação,
a jornada de domésticos passa a atender o
artigo 7º da Constituição Federal
de 1988, além de contar com a garantia de
pagamento de horas extras e adicional noturno, salário
mínimo e garantia de repatriação
para trabalhadores imigrantes.
A ministra conselheira da Missão Brasileira
da ONU, Maria Luísa Escorel de Moraes, foi
a relatora do comitê do trabalho decente para
empregados doméstico, que ficou responsável
pela consolidação do projeto da convenção
e recomendação da OIT, que recebeu
emendas. Para ela, apesar de algumas mudanças,
os instrumentos não tiveram alterações
expressivas e continuam favorecendo os trabalhadores.
Maria Luísa se mostrou satisfeita com o documento,
e espera que o Brasil feche sua participação
na conferência este ano sendo o primeiro país
a ratificar a convenção, que deverá ter
força de lei. A ratificação
será discutida pela Comissão Tripartite
de Relações Internacionais (CTRI) do
Ministério do trabalho e Emprego. Com informações
da Assessoria de Imprensa do Ministério Público
do Trabalho.
Revista Consultor Jurídico, 19 de setembro
de 2011
