
Trabalho aos domingos: nem emprego,
nem vendas
A abertura do comércio aos domingos só agrava
a realidade muito dura já vivida pelos trabalhadores
do comércio: jornada de trabalho excessiva,
estresse e saúde debilitada. Essa realidade
tão próxima de todos nós e a
experiência de outros países alertam:
a abertura do comércio aos domingos é um
grande equívoco.
Se queremos estar inseridos na modernidade,
precisamos, no mínimo, estar bem informados: em muitos
países considerados “desenvolvidos”,
a abertura do comércio aos domingos e feriados é um
episódio ultrapassado e que foi considerado
desastroso para toda a sociedade. Na Europa, por
exemplo, a maioria dos países com forte movimento
turístico tem apenas as áreas prioritárias
para o atendimento ao turista em funcionamento aos
domingos. Na Holanda, Áustria e Grécia
o comércio simplesmente não abre aos
domingos. Já na Alemanha e na Espanha, há um
número máximo permitido para a abertura
aos domingos: na Alemanha é de quatro domingos
por ano e na Espanha é de 12. Na Bélgica,
o comércio permanece fechado, abrindo excepcionalmente
algumas lojas. O que podemos dizer disso? Parece
que a modernidade considerou esse assunto prejudicial à família
e até à economia, porque a desarticulação
social tem um preço muito alto.
Além disso, a abertura do comércio
aos domingos não gera empregos, como defendem
algumas entidades. A quantidade de contratações é irrisória.
Análises do desempenho do comércio
aos domingos demonstram que a abertura dos estabelecimentos
nesse dia é um grave equívoco, porque
não há aumento nas vendas, não
há contratação de trabalhadores
e os funcionários que já trabalham
nas lojas e estabelecimentos diversos não
recebem mais pela atividade dominical.
Para abrir aos domingos, a maioria
das empresas trabalha com revezamento de funcionários,
gerando um excessivo número de horas-extras
por pessoa. Durante a semana, nos dias de menor movimento – habitualmente
de segunda à quarta-feira – os comerciários
trabalham as oito horas diárias ou até um
pouco menos e nos dias de pico – de quinta à sábado
ou domingo – trabalha-se o quanto for necessário
para atender o público.
O resultado disso é que o trabalhador do
comércio chega a jornadas semanais de 48 a
56 horas que acarretam esgotamento físico
e mental, pouco convívio familiar, nenhuma
condição de lazer, nem tempo para expressar
sua religiosidade, dificuldade de acesso ao conhecimento
e progressão na carreira.
Mas não é só isso, os pequenos
comerciantes também perdem, porque não
têm condições de concorrer com
as grandes redes e são obrigados a fechar
as portas e demitir funcionários, agravando
ainda mais o problema do desemprego.
Muito se fala que o funcionamento
do comércio
aos domingos aumenta as vendas o que também é um
grave engano. O que aumenta de verdade as vendas é dinheiro
no bolso do trabalhador e não um dia a mais
para comprar.
A decisão de abertura ou não do comércio
aos domingos tem grandes reflexos na sociedade. Afinal,
fere gravemente o convívio familiar e causa
mais desarticulação social e problemas
de saúde do que qualquer outra coisa.
Fonte:
www.contracs.org.br